segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Neymar, "O mérito e o monstro"

Enrique Castro-Mendivil/Retuers
Neymar abraça Henrique após gol
Importante jogador brasileiro no Campeonato Sulamericano sub-20, Neymar fez os 4 gols do Brasil no primeiro jogo, servido por Lucas e Casemiro, outros destaques entre os jovens. Foi uma partida relativamente fácil, mas ainda houve espaço para que o Paraguai marcasse dois gols. Jogo bonito, aberto, brasileiro.
Já contra a Colômbia a vitória foi menos expressiva, com gols de Casemiro, William José e Neymar. Vitória de 3 x 1, mas sem o brilho apresentado antes e tão desejado pela torcida.
O último jogo foi contra a Bolívia, adversário considerado fraquíssimo pelos “especialistas”. O Brasil, bajulado por todos os órgãos de imprensa devido às suas primeiras atuações entrou em campo como se nada, nem ninguém fosse capaz de derrotá-lo. Mas o salto quebrou.
O então jogador inatingível, maravilhoso, craque, que nunca erra, novo Pelé, ou novo Maradona, mostrou que ainda falta comer muito arroz e feijão para chegar nesse nível. É um atleta de área, que só não perde um gol se estiver na frente dele. Fominha, esqueceu que um time tem onze jogadores e que sem todos eles, até uma inexpressiva Bolívia pode impressionar.
O jogador chegou no ataque, pelo menos, 10 vezes. Em nenhuma delas, arriscou cruzar a bola aos companheiros bem colocados, que poderiam marcar. Quando roubava as bolas no meio do campo, nada mais acontecia e raras foram as vezes que ele chegou ao ataque com perigo, antes de ser interceptado pelo adversário.
Outra característica forte, talvez por conta da idade, é a mania de se jogar. Cair no chão sem ser empurrado, tocado, puxado, não é falta e ainda pode gerar um cartão amarelo por simulação. Mas no Brasil, infelizmente, os árbitros apitam a falta, elevando a pseudomoral do ator, e estimulando o mau comportamento. De qualquer forma, um atleta com esse potencial, mesmo que não totalmente revelado, deveria saber que lá fora (destino certo de jogadores como ele), o juiz não vai apitar qualquer coisinha, toda vez que ele se jogar.
No mesmo torneio ele consegue ser herói e vilão. Usando o título de uma música do “O Teatro Mágico”, o atacante é, ao mesmo tempo, “O mérito e o monstro”. Um dia aprende e no outro esquece de tudo. Um dia é essencial e no outro dispensável. Craque e meia boca. Mas aos poucos ele aprende.
A defesa brasileira também foi ineficiente, e jogou completamente aberta, dando à Seleção Boliviana a oportunidade para o gol de empate. Aliás, por muita sorte o oponente não virou o jogo. Ou por incompetência mesmo, afinal, pouquíssimas finalizações trouxeram perigo ao goleiro Gabriel.
Aproveito o espaço para parabenizar o número 10, Lucas, garoto de enorme qualidade. Destacou-se em todos os jogos, dos contra-ataques bem elaborados aos momentos em que vestia-se de bom zagueiro, quando aparecia na defesa para ajudar a Seleção. Uma hora estava no ataque e em seguida já roubava a bola do adversário no nosso campo defensivo. Correu demais, fez jogadas inteligentes, jogou bola e fez tudo o que sabe. Merece o destaque.
Ainda assim, nós, torcedores, precisamos entender que ali todos são apenas garotos. Com menos de 20 anos é impossível cobrar extrema maturidade dos jovens. Mas ainda é possível esperar um futebol talentoso, bem jogado, arriscado. Essa é exatamente a palavra, risco. Ter coragem de entortar as pernas adversárias, driblar, encantar. Mas comum à idade é também ter medo, de perder um gol e tornar-se, da noite para o dia, o protagonista de histórias com tristes finais.
Garotos, arrisquem-se mesmo. Sem arriscar, ninguém surpreende. Mandem o medo embora, mostrem o que sabem, aproveitem o talento de todos os seus companheiros, passem a bola, e se preciso, ajudem outro setor. Jogador bom, é jogador com garra, que vai atrás da vitória sem nem pensar em cansaço, dores, erros. E vocês chegarão lá.

domingo, 16 de janeiro de 2011

Juízes, árbitros, bandeirinhas. Interpretação, análise, opinião.



Testar possibilidades para renovação em Campeonatos importantes é um risco que a Federação Paulista de Futebol não levou em conta. Mas, talvez, um jogo supervisionado por 6 árbitros, não seja tão ruim como eu penso...

Aliás, para os profissionais, é uma medida que veio para auxiliá-los. A idéia é essa, sim. Mas o quê de ruim pode acontecer? Quanto mais gente perto do lance, melhor, não é? Seria, se todos os juízes pensassem igual. Mas eles são pessoas diferentes, e por isso, pensam, analisam e interpretam cada jogada, de um jeito seu. O que para alguns é falta, para outros é simulação, ou nem uma coisa, nem outra. O teste só me mostra uma coisa: vai dar problema! Hoje, no jogo São Paulo x Mogi Mirim, o primeiro lance foi um pênalti a favor do Tricolor. Um dos ‘novos’ árbitros apontou para o centro da área, sinalizando a falta. E se o árbitro principal, que estava apitando, não concordasse? Ele estaria desautorizado durante toda a partida, que apenas começava.

Está na regra que os tais ‘auxiliares’ novos não podem sinalizar o que interpretam (e é por isso que eles usam um caríssimo aparelho de comunicação), justamente para que não aconteça o que descrevi acima, mas o fato de um deles ter sinalizado, demonstra que o instinto de árbitro não vai sumir para dar vez ao novo jeito de apitar.

Os juízes treinam e são formados justamente para identificar e interpretar cada ação dos jogadores, e quando estão “formados”, suas cabeças não desobedecem mais à função, porque não estudaram para isso!

Se quiserem realmente mudar a regra, e colocar 6 árbitros em um jogo, que os treinem para as funções novas, eles não vão agir de forma diferente daquela que aprenderam! Mas estamos apenas na primeira rodada, e até o fim do Paulistão muita coisa vai acontecer. Eu espero que uma delas, esteja relacionada ao apito, que no Brasil vai de mal a pior.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Libertadores da América.

De um lado o consagrado Tricolor paulista, com tradição e três títulos. Do outro, o Colorado, com uma recente história de sucesso, após o primeiro campeonato em 2006.
O São Paulo vem, depois da Copa, de 3 derrotas e um empate no campeonato nacional, enquanto o Internacional mostra 100% de aproveitamento, contabilizando 4 vitórias.

Palpites divididos e muitas dúvidas. Alguns apostam no Colorado, argumentando a boa fase. Outros no Tricolor enfatizando sua história e seu desempenho pré Copa.

O jogo foi extremamente fechado, para o time paulista. Ninguém imaginava que a defesa sãopaulina seria o único setor usado no jogo, afinal, trata-se de um campeonato internacional. Por outro lado, essa mesma defesa demonstrou sua qualidade e durante 80 minutos segurou um placar que poderia estar em 4, 5 ou 3 a 0, mas estava 1.

Nada justifica a postura paulista no jogo. Para ser campeão não basta não levar gol. É preciso fazê-los! Hernanes não acertou um chute de fora da área, como costuma fazer. Dagoberto preferiu os dribles, às oportunidades de finalizar. Marlos sumiu. Fernandão estava mais colorado do que nunca. Isso sem contar a festa de passes errados. Parecia Inter contra Inter.

Por outro lado, em uma Libertadores não se pode perder tantos gols como o Colorado perdeu. Vamos levar em conta a belíssima atuação de Rogério Ceni, que defendeu gols feitos. Mesmo assim, o Internacional precisava aumentar para chegar ao Morumbi menos pressionado.

O que se viu, foi apenas um time que só atacava, contra outro que só defendia. Nessa, o ataque se saiu melhor e levou a vitória de 1x0. O time gaúcho venceu em casa, sem levar gol algum do adversário e por isso terá vantagem no jogo de volta, que decide um dos finalistas.

Dia 5, no Morumbi, é a postura dos times que vai dizer quem é o finalista. Equilíbrio é a chave. A torcida tricolor vai torcer em peso, assim como fez a do time gaúcho.

E preciso lembrá-los, ainda não acabou para ninguém. Tudo pode acontecer, ainda faltam 90 minutos para o confronto final ser decidido. Mas, uma coisa é fato: se o São Paulo não pensar como time grande, não há santo que o faça ser Tetra!

terça-feira, 20 de julho de 2010

O emprego de Ricardo Gomes no Morumbi pode estar ameaçado


O que aconteceu? O São Paulo terminou a sétima rodada do Brasileirão com um futebol admirável, que poderia levá-lo à final da Libertadores. Então a Copa do Mundo começou, e a pausa, consequentemente aconteceu.

O tempo que deveria ser aproveitado para agregar não só jogadores, mas uma maior evolução ao time, acabou completamente desperdiçado. O mundial acabou, o Brasileiro recomeçou e desde então, duas partidas aconteceram. Contra o Avaí, o Tricolor perdeu de 2 a 1, mas manteve o pensamento de que melhoraria nos outros jogos para que pudessem conseguir uma boa sequência antes do jogo dia 28, contra o Internacional, pelo campeonato sulamericano.

Mas o tal próximo jogo, não foi nem um pouco melhor. O Vitória atropelou o tricolor, vencendo-o por 3 a 2 e dando início à uma possível crise no time paulista. Foi um jogo horrível, sem lances bonitos e com muitos jogadores desanimados.

Mas o que está acontecendo? Não podemos dizer que o elenco são-paulino é fraco. Um time que tem no setor defensivo jogadores como Alex Silva e Miranda, um goleiro como Rogério Ceni, e na parte ofensiva traz Dagoberto, Fernandão, às vezes Washinton e até Hernanes, não pode ser julgado como um time de baixa qualidade. É impossível esses jogadores estarem todos em uma fase ruim, ao mesmo tempo.

O técnico Ricardo Gomes nunca foi aclamado pela torcida, mas vinha fazendo um bom trabalho antes do recesso. Arrancou grandes vitórias contra Goiás e Grêmio em junho, e em maio venceu o Cruzeiro pela Libertadores em dois jogos com placares de 2 a 0.

Afinal, de quem é a culpa? Podemos culpar alguém? Segundo alguns, o próximo jogo pode ser fatal para o comandante. Se o tricolor perder amanhã, 21, para o Grêmio Prudente, em pleno Morumbi, seu emprego estará ameaçado.

terça-feira, 13 de julho de 2010

O Brasileirão volta com tudo

Voltemos agora, então, a focar o nosso futebol. Em breve teremos clássicos e jogos pelo campeonato brasileiro, pela Copa do Brasil e pela Libertadores da América.

Os próximos jogos acontecem pelo Brasileirão e reservam algumas surpresas. Os times treinaram forte e aproveitaram para fazer mudanças, como é o caso do Tricolor, que enfrenta o Avaí no dia 14. O atacante Washington, que vinha reclamando abertamente por estar na reserva mudou a sua postura. O técnico Ricardo Gomes disse que durante a Copa houve muita conversa e ele pôde se adaptar à nova situação, mas deverá ser titular contra o time catarinense. Outra mudança é a ausência de Cicinho, que não foi liberado pelo Roma para terminar ao menos o campeonato sulamericano no Brasil. O jogo será no Morumbi e pode dar ao São Paulo um lugar no G4.

No mesmo dia, o Corinthians enfrenta o animado Ceará que realiza sua melhor campanha no campeonato Brasileiro. Os dois times estão com 17 pontos e disputam a liderança atualmente. O alvinegro está fortemente desfalcado sem o atacante Ronaldo, que se recupera de lesão. Outros jogadores que não estão escalados são Jorge Henrique, Moacir e Dentinho.

Já Palmeiras e Santos protagonizam um grande clássico no dia 15, no Pacaembu. O alviverde tem de volta um grande ídolo da torcida, o Kleber, que ainda não é certeza para o jogo de quinta-feira. Outra grande mudança realizada na parada da Copa foi a contratação do técnico Luiz Felipe Scolari, campeão mundial com o Brasil em 2002. Felipão ainda não assinou o contrato mas já está no time, que prevê apresentá-lo no dia do jogo. Já o alvinegro, não contará com o atacante Robinho, que voltou da seleção e ganhou folga até segunda-feira. Dorival Júnior, que cogitava a ausência de Ganso, pôde ficar mais tranqüilo após alguns exames realizados, e agora pensa em apenas começar com ele no banco, podendo aproveitá-lo em algum momento da partida. Se o Santos vencer, pode assegurar-se entre os primeiros colocados, caso contrário, o Palmeiras poderá somar 12 pontos e empatar com o adversário.

Decepção

A Copa do Mundo acabou e preciso dizer o quão indignada a arbitragem me deixou. Eu vinha fazendo duras críticas aos trios brasileiros que se mostravam de baixíssima qualidade nos campeonatos que aconteciam aqui. E mais, aproveitei a participação do juiz Simon na Copa para dizer que o nível da nossa arbitragem era realmente muito baixa. Engano meu. A falta de preparação não é brasileira apenas, é uma característica forte da FIFA. Durante o maior evento esportivo mundial, vi gols não marcados, faltas duras sem punição e expulsões que não condiziam com os acontecimentos. Não estou aqui para julgar a campeã Espanha e nem os eliminados logo de cara. Mas eu acredito sim, que se a arbitragem fosse mais qualificada, o resultado poderia ser outro.

Ligia Thomazi

Aproveito para dizer-lhes que fui convidada pelo meu grande amigo Bruno Kelton para ser colunista do seu blog, e meu primeiro texto foi publicado neste domingo. Para quem gosta do que faço, é uma dica. A publicação é exatamente sobre o que eu escrevi acima, a arbitragem na Copa do Mundo.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Parecia surpreendente, mas acabou previsível


A Copa do Mundo, que inicialmente reservou muitas surpresas, finalmente teve um desfecho até esperado.
Quatro times sul-americanos chegaram às quartas de final. A Argentina, que vinha de excelentes placares no Mundial, perdeu da Alemanha por 4 a 0. Já a Celeste seleção uruguaia enfrentou o único time africano que sobreviveu no campeonato, e empatou em 1 a 1 com a equipe de Gana, mas venceu por 4 a 2 nos pênaltis. O Paraguai foi eliminado por 1 a 0 pela Espanha e o Brasil perdeu da Holanda, em um jogo pouco comum para a seleção Canarinho.
O placar de 2 a 1 para a Laranja Mecânica, de virada, deixou os corações brasileiros tão desolados, que foi fácil apontar os culpados. Felipe Melo e Dunga foram os escolhidos como os causadores da desilusão sofrida pela nação que esperava ser campeã.
Mas, em um jogo como esses não se deve apontar um, dois, ou três culpados. Se o Felipe Melo continuasse expulso, e os atacantes Robinho e Luis Fabiano tivessem convertido todas as suas finalizações, o placar seria outro. Da mesma forma, mesmo com a expulsão do jogador, mas se o goleiro Júlio César não tivesse saído de forma errada no segundo gol adversário, o placar também seria outro.
É muito fácil culpar alguns. Se alguém teve realmente culpa, foi a seleção holandesa, superior em campo. E apenas ela. O time que Dunga convocou foi supercriticado não só pelos torcedores, mas inclusive pela imprensa. E mesmo em seus melhores jogos, e com os placares positivos, continuava sendo bombardeada. Além disso, Felipe Melo deu assistência ao gol brasileiro, de Robinho. E que assistência!
Então, parem de besteira, não existe culpado. Perder um jogo faz parte. É assim! Preparemos-nos então para que 2014 seja o ano da consagração do tão sonhado hexacampeonato!

Nas semifinais, o Uruguai acabou eliminado pela mesma Holanda, que agora aguarda o vencedor do jogo entre Espanha e Alemanha para saber quem será seu adversário na última partida. E agora? A Alemanha que deu show de bola vai poder levar a taça, indo para a final, ou será a Espanha, sempre favorita, mas pouco ousada?


Ligia Thomazi